Categoria: Notícias

  • 16/08 – ATO-XIRÊ contra o racismo religioso, as 14h no túnel da abolição, em Recife.

    Diversos movimentos, coletivos e organizações negras e antirracistas, convocam a população pernambucana para um ato, que acontecerá nesta segunda (16), na praça do túnel da abolição, no bairro da Madalena.

    Nas últimas semanas, as obras dos artistas negros Nathê Ferreira, Adelson Boris e Emerson Crazy no Túnel da Abolição, foi vítima de racismo religioso através de ofensas e injúrias cometidas por um pastor evangélico de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. Essa não foi a primeira atitude criminosa do missionário cristão, ele já acusou a coordenadora cultural do município, Raphaela Ribeiro e a Prefeitura de Igarassu de promover uma agenda pró-feitiçaria e do poder municipal ser “ligado intrinsecamente aos poderes demoníacos”, além ser investigado por injúria racial contra o artista Joel Carlos em inquérito da polícia civil.

    Em nome do Deus cristão, o pastor pratica crimes de intolerância e charlatanismo, disseminando um ódio contra pessoas negras, travestis, transsexuais e homossexuais. Ao se referir a travesti Raphaela Ribeiro ele defende o desrrespeito de sua identidade de gênero alegando se referir a ela a partir dos olhos de Deus. Os delírios do pastor também incorpora a narrativa da “agenda globalista” onde crê que existe uma articulação internacional para promover acomodação social de práticas antinaturais. Cabe ressaltar que o argumento de anti-naturalidade da homossexualidade e da transsexualidade é refutado pela ciência ao comprovar a existência de comportamentos e transformações corporais que transgridem os gêneros em diversas espécies no reino animal.

    O cristianismo se consolidou neste território a partir da colonização, que puniu e criminalizou práticas culturais negras e indígenas por considerarem-nas demoníacas. O Tribunal da Santa Inquisição revela o passado nefasto do cristianismo que espalhou pavor e medo na sociedade justificando assassinatos de pessoas e reputações em nome da verdade de um deus sádico e autoritário, atualmente são as igrejas evangélicas neopentecostais responsáveis pela perpetuação da violência cristã para dominação social e política. O processo histórico em que boa parte do que é produzido pela população negra é desumanizado, desvalorizado ou considerado estranho e perigoso estimula a visão da religião africana como ligada ao culto ao demônio, diabo, satanás, rituais satânicos, macumba ou que fazem o mal.

    Discursos que associam a dissidência sexual da supremacia branca e as religiões de matriz africana ao pecado e ao demônio tem responsabilidade direta na violência que essa população é vítima! As formas cruéis com que a transfobia, homofobia, lesbofobia, bifobia e o racismo estão sendo praticados assusta e evidencia uma base cultural onde a discriminação, perseguição e o ódio tem o aval de Deus, já que ele só aceita uma única forma de existir neste mundo.

    Diante do avanço das narrativas conservadoras e intolerantes a Distro Dysca em conjunto com a ANEPE – Articulação Negra de Pernambuco, Movimento Negro Evangélico, Coletivo Periféricas, Espaço Cultural das Marias, Afronte Coletivo, Dhuzati Antiespecista, Ibura Mais Cultura, CARNI – Coletivo de Arte Negra e Indígena (CARNI), Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, Articulação de Religiões de Matriz Africana e Indígena de Igarassu – PE, RENFA – Rede Nacional de Feministas Antiproibicionista e Coletivo Pão e Tinta se articulam também junto a Associação Caminhada de Terreiros de Pernambuco, para construir uma agenda de mobilizações que prevê além do ato do dia 16, uma caminhada religiosa no dia 23 de agosto e uma mobilização em Igarassu com data ainda a confirmar.

  • Lançamento do Anti Projeto Anarco Fake com Mogli Saura & Monstruosas

    Desde o dia 18/07 está no ar o Anti Projeto Anarco Fake, uma resposta de Mogli Saura aos processos vivenciados nas movidas dos ativismos políticos radicias, trazendo a experiência do AnarcoFunk e do AnarcoBrega, expressões contraculturais que protagonizou no início dos anos 2010. A artista compõe músicas com letras extremamente provocativas fazendo não só um ataque, como também um verdadeiro deboche anticolonial com as verdades, purezas e rupturas pregadas por coletivos e indivíduos que assumem a política como religião e a radicalidade como dogma.

    Ménage a Coiote é o single que arrasta toda a elaborada agenda de lançamento do projeto, e tem seu clip hospedado pela plataforma EhCho. Uma homenagem – trocadilhada com um ménage – ao controverso Coletivo Coiote, conhecido nas pelas suas performances desaforadas que atualizaram o gênero artístico, dentre elas a belíssima intervenção na Marcha das Vadias do Rio de Janeiro, onde destruíram uma estátua de Nossa Senhora além de usarem símbolos religiosos como dildos durante a visita do Papa Francisco, autoridade máxima da instituição mais racista, sexista e supremacista da história da humanidade, à capital carioca.

    Mogli Saura protagoniza o Anti Projeto Anarco Fake

    Segundo Mogli “nesse ménage (que na verdade é um surubão) Mana Joaquina chupa a buceta da Maria Bonita, Chico Science lambe cu de Lampião e o troca-troca segue o flow dos nossos tempos, embalado pela coragem degenerada do Anti-Projeto.”

    A Distro Dysca entra neste projeto distribuindo o zine organizando pela Monstruosas e convidando seu público a acompanhar uma live exclusiva com a artista. O zine conta com o texto “Do punk pro funk, do funk pro fake: Uma história de dissidências e atualizações na cena contracultural e libertária brasileira”, uma contextualização sobre as vivências, as inspirações e decepções que leva ao Anti Projeto e a entrevista completa que Mogli concedeu a Monstruosas, onde parte dela você pode conferir no blog também hospedado aqui no milharal.

    Já a live será uma oportunidade de apresentar Mogli Saura e seu Anti Projeto, a esta nova geração que segue embalada por um funk escrachado protagonizados por LGBTS, a artista vem abrir um pouco mais a ferida, já assimilada pelo mercado, fazendo questão de mapear e historicizar estas criações como parte de um movimento contra cu-ltural de combate ao Cistema Heterocapitalista da Supremacia Branca.

  • Aos 95 anos, Malcolm X ainda fala

    No dia 19 de Maio, se não tivesse sido assassinado covardemente há exatos 55 anos atrás, Malcolm X completaria 95 anos. O ativista preto ficou marcado pela defesa pública de uma “separação racial completa” como a única solução para o fim do sofrimento dos pretos em diáspora.

    Como a população preta nas Américas foi sequestrada e obrigada a vir para o continente contra sua própria vontade, perdendo sua língua, cultura, estrutura e nome familiar, Malcolm acreditava que qualquer forma de integração não poderia servir para justificar ou reparar a brutalidade do crime já cometido. Por conta de centenas de anos de tortura, escravização e implicação desigual das leis, ele pregou que os pretos deveriam romper com os Estados Unidos e formar uma outra nação em seu solo, se opondo às filosofias integracionistas defendidas pelos liberais brancos e líderes de direitos civis convencionais como Martin Luther King Jr.

    Em sua prática política diferenciou dois tipos de povos negros que existiram ao longo da história da diaspóra, com foco nos Estados Unidos, a metáfora é facilmente compartilhada em todos territórios da América: “o negro da casa grande” e “o negro da senzala”, uma distinção que se originou durante a escravidão. “o negro de casa grande” morava na casa, com o dono, vestia-se razoavelmente bem e comia bem porque podia receber o que o senhor deixou, morava no sótão ou no porão, perto do senhor e o amavam mais do que o próprio senhor amava a si mesmo.

    Nas plantations haviam os “negros da senzala”, eles eram comumente espancados, desde a manhã até a noite, moravam num galpão, comia restos, usava roupas descartadas e odiava seu senhor.

    Para Malcolm, o moderno “negro da casa grande” eram os negros “burgueses” que desejavam se assimilar à sociedade branca, contrastando com as “massas negras oprimidas, insatisfeitas e impacientes” que formaram a “irmandade” da Nação do Islã, grupo político e religioso islâmico de cunho fundamentalista, fundado em Detroit, Michigan, em julho de 1930.

    Um mural no Malcolm X Park, nas ruas 51 e Pine, representando Malcolm X e sua esposa Betty Shabazz.

    Contudo, Malcolm começou a discordar da posição passiva do NOI frente as opressões racistas. Filosoficamente, estava cada vez mais frustrado com a passividade política de Elijah Muhammad, líder da NOI. Ele queria que a organização se envolvesse em protestos e colaborasse com outros líderes e organizações pretas, atos proibidos por Muhammad. Depois que Ronald Stokes, oficial da NOI foi assassinado e outros seis membros foram baleados em um confronto com a polícia de Los Angeles, Malcolm localizou o atentado como chacina e quis responder a altura, mas Muhammad ordenou que ele se afastasse. Espiritualmente, Malcolm estava tendo cada vez mais receios sobre a teologia da NOI, os conceitos sectários, e suas contradições fundamentais ao mainstream do Islã, um desconforto que se originou durante uma viagem ao Egito e ao Oriente Médio em 1959.

    Diariamente, ele estava sendo monitorado pelo Departamento de Serviços Especiais do Departamento de Polícia de Nova York, pelo FBI e pela CIA e dentro da Nação, Malcolm esteve envolvido em implicações veladas e comentários negativos sobre os outros ministros da NOI e foi acusado de tentar assumir a NOI, receber crédito pelos ensinamentos de Muhammad, buscar publicidade para si mesmo e tentar para construir seu próprio império. Adicionado:

    Para Malcolm, o moderno “negro da casa grande” eram os negros “burgueses” que desejavam se assimilar à sociedade branca, que contrastavam com as “massas negras oprimidas, insatisfeitas e impacientes” que formaram a “irmandade” da Nação do Islã, um grupo político e religioso islâmico de cunho fundamentalista, fundado em Detroit, Michigan, em julho de 1930

    Malcolm não recebeu mal as acusações, pois Muhammad havia lhe avisado que passaria a ser odiado e invejado quando se tornasse mais conhecido. Ele entendeu que as alegações “me ajudaram a reforçar minha determinação interior de que essas mentiras nunca se tornariam verdadeiras para mim”.

    O corte mais cruel de todos ocorreu com a confirmação de Malcolm do adultério de Muhammad. Desde meados da década de 1950, surgiram boatos sobre os casos do líder da organização e suas secretárias pessoais. Em abril de 1963, ele conversou com as secretárias e o próprio Muhammad e concluiu que os rumores eram verdadeiros. Em março de 1964, ele deixou a Nação e, depois de fazer o hajj em Meca e adotar o islamismo sunita, começou a rejeitar suas crenças passadas.

    Ele foi assassinado em 25 de fevereiro de 1965, na cidade de Nova York. Aos 39 anos.

    Gerações de pretos nascidos no território tomado pelos Estados Unidos da América foram influenciadas pelo brilhantismo, bravura, franqueza, ousadia e incontestável amor, carinho e preocupação de Malcolm X pela população preta. Ele teve uma importância duradoura, inspirando indivíduos como Stokely Carmichael , os Panteras Negras, Angela Davis e uma série de líderes trabalhistas. Sua retórica, suas explicações, sua agressividade, seus conceitos radicais, seu anti-racismo, sua ideia de os negros serem uma nação – tudo isso influenciou outras organizações.

    Malcolm X fala em auditório em 1963

    Em seu aniversário de 95 anos, Ilyasah Shabazz, filha do falecido Malcolm X, reflete sobre o legado duradouro de seu pai e seu significado neste momento. Quando El-Hajj Malik El-Shabazz deixou sua forma humana, a sociedade que ele se aventurou a mudar não estava pronta para sua visão de igualdade.

    “As pessoas costumavam dizer, Malcolm está com raiva, ele é violento. Agora podemos ver que ele simplesmente teve uma reação profunda à injustiça.”
    Ilyasah Shabazz

    A “filha número três”, como é carinhosamente conhecida, é, há vários anos, a guardiã do legado de seu pai. Como autora de “Growing Up X” e o futuro, The Awakening , ela se aprofundou sobre quem era Malcolm X e compartilhou sua mensagem para aqueles abertos o suficiente para ouvi-la. Ilyasah era muito nova quando testemunhou o assassinato de seu pai. Hoje ela ressuscita seus ensinamentos para uma celebração de um dia de sua vida.

    Ilyasah Shabazz e Angela Davis participam do comício na Marcha das Mulheres em Washington em 21 de janeiro de 2017 em Washington, DC.

    Com convidados musicais especiais como Erykah Badu, Common, Chuck D. e Stevie Wonder, além de ativistas políticos como Angela Davis, a Rev. Al Sharpton e Ayanna Pressley, o “Malcolm X Day”, segundo Shabazz, é um momento para explorar o que seu legado significa neste momento. “Você não pode deixar de confiar nas palavras dele como uma reação ou precursor do que está acontecendo hoje e do que continuamente acontece”, diz Shabazz, ao mesmo tempo em que é uma oportunidade para as pessoas se unirem e reconhecerem quem realmente é o pai dela. Era o que significa uma comunidade coesa, estar unida em sua luta pela eqüidade.

    “Organizamos esse dia para não apenas celebrarmos Malcolm”, diz Shabazz, “mas também para criar uma aliança e fazer com que as pessoas vejam a importância de se unir, a importância do planejamento e da estratégia em torno do que quer que seja. precisamos realizar. “

    Embora tenham se passado 55 anos desde o assassinato de Malcolm X , os assassinatos de Breonna Taylor¹ e Ahmaud Arbery² lembram aos que carregam o legado de X que muito pouco mudou. Shabazz diz que ainda devemos lutar para acabar com a brutalidade policial, e ainda devemos lutar para acabar com a injustiça. “Quando você chega em casa e vê a matança e brutalidade absoluta de policiais, intolerantes, matando crianças negras porque são negras, espancando mulheres, homens jovens, idosos com tanta violência”, lamenta Shabazz. “É traumático quando você entra nas mídias sociais e vê um assassinato bem na sua frente. Então, acho que agora, quando vêem Malcolm, conseguem colocá-lo em contexto, entendendo o que ele estava falando. Por que ele teve uma reação tão profunda à injustiça.

    A terceira filha mais velha acredita que há tantas coisas que, como sociedade, precisamos fazer. E ela espera que celebrar a vida de seu pai ajude as pessoas a entender que a razão pela qual seu pai protestou com ousadia é porque ele não queria que as gerações futuras se encontrassem no mesmo lugar exato em que ele estava durante seus dias.

    Ao descobrir sua humanidade e sua empatia, o autor e ativista também espera que as pessoas sejam inspiradas, nesses tempos sem precedentes, a se ativarem em torno dos ensinamentos que vieram para definir o legado de seu pai. “A COVID nos deu uma grande oportunidade de ficar parado, quieto e ouvir o que está acontecendo ao nosso redor e o que está acontecendo dentro de nós”, observa Shabazz. “Quem somos nós? O que é importante no esquema maior das coisas? O que estou descobrindo é que mais pessoas estão se voltando para Malcolm. E eles estão ouvindo o que ele está dizendo. E eles estão tendo esses momentos de iluminação.”

    Malcolm não era quem defendia a violência. Ele estava reagindo a isso. E ele estava reagindo a isso por compaixão e por amor.
     Ilyasah Shabazz

    Os eventos de 27 de abril de 1962 levaram Malcolm X a seu próprio momento decisivo. Quando a polícia de Los Angeles entrou em uma mesquita da Nação do Islã e feriu sete muçulmanos desarmados, deixando William Rogers paralisado e Ronald Stokes morto, o auto-descrito ministro muçulmano ficou impressionado com a barbárie. A comunidade negra reconheceu o ataque às vidas negras pelo que era. Malcolm X aproveitou o momento para ilustrar a necessidade de mudanças radicais. É a mesma mudança que Ilyasah Shabazz diz que ainda é necessária hoje. “Nós lutamos a mesma luta desde que sabemos. Desde a escravidão, estamos lutando a mesma luta ”, diz ela. “Acho que devemos identificar o que é e reconhecer que existem 8 bilhões de pessoas neste mundo, a grande maioria das quais deseja paz, justiça e igualdade. Quando você olha a partir dessa perspectiva, percebe que podemos fazer mudanças. ”

    A esse respeito, o autor do livro infantil Malcolm Little: O menino que cresceu para se tornar Malcolm X, está esperançoso para as próximas gerações. O pai dela queria que fôssemos destemidos em nossa busca pela liberdade, destemidos em nossa busca pela equidade e pela mudança. Ela acredita que agora é possível. Citando Toni Morrison, ela diz, as gerações à nossa frente entenderão seu valor e dignidade como pessoas negras. Eles não precisarão gastar tanto tempo tentando provar a si mesmos. Embora a história tenha tentado despir-nos tudo o que Deus nos deu, diz Shabazz, perceber o que temos e quem nos deu “faz toda a diferença”.

    A filha amorosa confessa que não herdou o amor de seu pai pela leitura, ou suas brilhantes habilidades oratórias, mas acredita que recebeu sua empatia e seu desejo de ver uma América remodelada. É o que ela insiste que seu pai sempre quis. Embora ele tenha sido frequentemente pintado como um extremista violento, Shabazz afirma: “Malcolm não era quem defendia a violência. Ele estava reagindo a isso. E ele estava reagindo a isso por compaixão, por amor, por fé em nossa humanidade, fé em Deus e fornecendo um plano de como essa luta pela injustiça terminaria. ”

    No século 21, Malcolm X ainda fala. Shabazz acredita que não há tempo melhor do que seu aniversário de 95 anos para dar ouvidos à sua mensagem.

    NOTAS

    1 – Breonna Taylor trabalhava em Louisville, Kentucky, dentro do conforto de sua própria casa quando, segundo um relatório do Washington Post x 19º, policiais entraram em seu apartamento e atiraram fatalmente na jovem de 26 anos.

    2 – Ahmaud Arbery, de 25 anos, foi morto a tiros por pai e filho enquanto passeava correndo em um bairro suburbano perto de sua casa. Ninguém foi responsabilizado.

  • Curadoria pósporno brasileiro da Distro Dysca e Filmaralho em Tijuana, MX

    A curadoria de trabalhos pósporno brasileiro, da Distro Dysca e Filmaralho para o Festival Anormal, chega no Cine Tonalá, em Tijuanna, México. As sessões acontecerá no dia 20 de junho, com a exibição dos títulos:

    * Em Memoria Do Meu Ovario Enfermo (KALI KALI | 2017 | 2’47”)
    * Jardinere Infiel (Walla Capelobo | 2016 | 4’10”)
    * Cocina Postporno (Paulx Castello | 2015 | 1’20”)
    * X (Paulx Castello | 2017 | 12’14”)
    * X Manas (Clarissa Ribeiro | 2017 | 17’45”)
    * Conjuro Satánico (Marina Murta e Amazonzina Kinatapas | 2016 | 9’31”)
    * Cortos de la fiesta “INFECCIOSAS” (3’11’’)
    * Cortos de la fiesta “KIKA” (3’41’’)

    Em conjunto com esta ação acontece a oficina de desCULOnización, no dia 23 de junho facilitada pela Maldita Geni Thalia

    “La desCULOnización es una campaña anti-civilizatoria por el goce de un cuerpo que disfruta, que siente placer y baila sobre las ruinas del orden y del progreso, de las buenas costumbres de la família tradicional. Surge con la fuerza de destrucción, ocupación, invasión y re-existencia que se concentra en nuestras caderas y que resuena por todo el cuerpo. Los movimientos trabajados en el taller son lo que en México se ha conocido como twerk, perreo. Temas como violencia de género, territorialidad, racialización, feminismos, lugar de habla, autodefensa, salud y bienestar emocional/sexual serán abordados en el taller.”

  • Programa Especial Brasil do Festival ANORMAL com curadoria de trabalhos por DistroDysca e Filmaralho

    Surgido como resultado de uma contaminação pornoterrorista em território tomado pelo Estado mexicano e consequência direta da Mostra Marrana, O An*rmal Festival Internacional de Postpornografia, Feminismos e Sexualidades Dissidentes volta a trazer monstruosidades e sexualidades desconolizadas ao ExTeresa, imóvel descristianizado, blasfemado e ocupado durante os dias 25 a 28 de outubro com trabalhos de todo o mundo ecoando gritos que um pornô anticisheterossexista é possível!

    O An*rmal acontece na capital latinoamericana da produção pospornografica com a firme convicção que o que vem sendo feito em termos de biopolítica é profundamente necessário não apenas para o campo das artes, mas sobretudo para as políticas feministas e as correntes de pensamento e representação.

    A Distro Dysca participa desta agitação juntamente com a Filmaralho na curadoria de trabalhos brasileiros e com envio de publicações do selo Monstruosas que trazem temas focados nas dissidências sexuais, políticas nômades e antihumanismo. A mostra também conta com a participação de Bruna Kury na sessão PornoSapiens, momento dedicado a reflexões críticas em torno da pornografia e pospornografia e exibição de vídeos do Coletivo Coiote e Coletiva Vômito.

    Programa Especial Brasil – Festival Anormal – Selección FILMARALHO + Distro Dysca

    EM MEMORIA DO MEU OVARIO ENFERMO, 2017 – 2’47”. DIRECCIÓN KALI KALI
    Tengo un ovário enfermo. Es el derecho. Cuando estoy en mi periodo generalmente siento muchos dolores, se me baja la presion, as veces me desmayo, as veces tengo ansia de vomito y en la mayoria de las veces me duele existir. En 2017 decidi catografiar mi menstruacion hasta el fin del año y intentar comprender su ciclo. En Memoria de Mi Ovario Enfermo 04 es mi menstruacion de Abril/2017.

    JARDINERE INFIEL, 2016 – 4’10”. DIRECCIÓN WALLA CAPELOBO
    SyFy latino, Walla se deja envolver en éxtasis, deseo y búsqueda de higienización a través de utensilios de jardinería.

    COCINA POSTPORNO, 2015 – 1’20”. DIRECCIÓN PAULX CASTELLO
    Ensusiarse

    X, 2017 – 12’14”, DIRECCIÓN PAULX CASTELLO
    X nos lleva a un mundo pos-apocalíptico, habitado por cyborgs. Estxs crean su sociedad pos-humana, basada en practicas contrasexuales: lo que conocemos como experiencia de género y sexualidad colapsa.

    X MANAS, 2017 – 17’45”. DIRECCIÓN CLARISSA RIBEIRO
    Recife, Brasil, 2054. La populación de la ciudad se divide en dos grandes estractos sociales. En la punta, la esterialidad y apatia de los moradores de los grandes edificios y dueños de empreendimentos comerciales. En el submundo los disidentes sexuales, maricas bandidas, travestis, lesbianas nerviosas y todos los cuerpos marginalizados frente a la cisheteronorma. Performando sus identidades y contra todo tipo de opresión, los disidentes se reunen y arman un plano.

    Conjuro Sapatanico, de Marina Murta e Amazonina Kinatapas

    CONJURO SAPATANICO, 2016 – 9’31”. DIRECCIÓN MARINA MURTA Y AMAZONZINA KINATAPAS
    En una noche de luna nueva, dos tortilleras se unen para conjurar contra el sistema normativo heterocapitalista. La fuerza orgastica boyera combatiendo la dominación de las tierras y de los cuerpos disidentes de la heterosexualidad obligatoria, incitando a la rebeldía y resistencia bollera y desviada.

    SÉRIE “INFECCIOSAS” 3’11”. ANARCAFILMES
    Mucha promiscuidad. Maquilaje pesada. Infecciosxs busca proporcionar noches de sinistras y excitantes experiencias. En la intención de construyer, mismo que temporariamente, un lugar que abrace todas las formas de expressión, un lugar que piensa que la basura y la suciedad como potencia y vislumbre de otras

    SÉRIE “KIKA” 3’41’. ANARCAFILMES
    Jogando água de chuca pra lavar esse cemitério indígena denominado: BRASIL pretas cibernéticas frenéticas nervosas desfilam pelo fim da ilusão da ordem e progresso

    Infecciosxs, Recife – PE

  • Silvia Rivera Cusicanqui: Seguir olhando para a Europa é aposta em um suicídio coletivo

    Aproveitando a visita de Silvia Rivera Cusicanqui em Códoba, Gabiana Bringas realizou uma entrevista com a intelectual boliviana em seu programa de rádio ‘Sob o Mesmo Sol’. A socióloga nos explica quais são as possibilidades que temos para descolonizarmos.

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    Silvia Rivera Cusicanqui é uma destacada socióloga e intelectual boliviana colaboradora do Movimento Indianista Katarista e do Movimento Cocalero. Uma das fundadoras da Oficina de História Oral Andina. É autora de vários livros, participou de filmes e é docente universitária expulsa da Faculdade de San Andrés de La Paz. Em sua estadia em Córdoba concedeu entrevista para o programa Sob o ‘Mesmo Sol’

    A socióloga atualmente participa de um grupo anarquista. São autogestionados, tem uma casa que construiram com suas próprias mãos e uma horta. Dão cusos fazem recitais e apoiam algumas mobilizações na Bolívia. Não tem sido apenas uma intelectual e pensadora, sempre tem estado atravessada pelas lutas territoriais e tem sido pragmática.

    Identificação e descolonização

    Segundo a socióloga, “descolonização” – termo que ela se refere ao largo de sua produção acadêmica – tornou-se uma palavra mágica que cobre tudo e nada ao mesmo tempo. Ocorre algo perigoso aqui, destaca, a tendência é pensar que a colonização apenas afeta aos indígenas. Quando na realidade, “os mais afetados são os mestiços”, até o colonizador tem que descolonizar-se porque está em uma relação de poder ilegítima, espúria e violenta.

    La tendencia es pensar que la colonización sólo afecta a los indígenas. Cuando en realidad, “los más afectados son los mestizos”, hasta el colonizador tiene que descolonizarse porque está en una relación de poder “ilegítima, espuria y violenta”.

    Por outro lado, destaca que não gosta de referir-se a “Identidade”, prefere falar de “Identificação”. Com que nos identificamos? “Porque se identificar é um processo, no entanto a identidade é como uma camiseta ou tatuagem que você não pode removê-la”. A longo da vida estamos atravessadas por diferentes identificações, algumas mas fortes que outras, Em relação aos conceitos, Rivera Cusicanqui se “identifica” como uma “mestiça que busca uma descolonização da própria subejtividade”

    Europa como norte

    Atualmente, o problema que ela detecta é que estamos imersos em uma “crise global”. “Essas referências que pareciam hegemônicas, na realidade por serem inquestionáveis, estão começando a desmoronar” Agora os europeus estão enfrentando o que ela denomina, “a outra cara da dominação”, consequência da polarização que eles mesmos geraram para sustentar seus próprios privilégios.

    Rivera Cusicanqui entende que se deixamos de nos espelhar nos Estados Unidos ou na Europa, e focarmos na América Latina, vamos ver que somos fonte de uma resistência maior e temos ferramentas para poder fazer frente a uma crise. A socióloga afirma que na América Latina “hoje estamos vivendo um processo de capitalismo selvagem, de saques sem limites”, o sistema produtivo extrativista, minerações a céu aberto, a política de fracking, tudo leva a um “beco sem saída, seguir se espelhando na Europa é apostar por uma espécie de suicídio coletivo”

    O problema é de “senso comum” acredita ela, não se pode continuar desperdiçando e destruindo os bens comuns. Atualmente existe uma emergência de movimentos indígenas que começam a identificar-se com os seus antepassados e, especialmente, com a terra, então eles dão dois processos, a “recuperação da espiritualidade” e “politização da etnicidade”, ambos muito positivo e distantes da ideia de etnicidade ligada ao folclore ou turismo.

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    Patriarcado

    Silvia Rivera Cusicanqui também se preocupa em repensar a relação com o patriarcado. Define-o como um “complexo de centralizações” centralizou-se o conhecimento na Europa e isto gerou o etnocentrismo; centralizou-se o direito, a palavra e o pensamento na Europa e tem se dado o “logocentrismo”; e ainda estamos centralizando a noção de cultura e civilização no colonizador. “O androcentrismo é parte deste complexo colonial”, a solução que a socióloga sugere é descentralizar tudo”

    Por outro lado, e além de ser o patriarcado um “fenômeno planetário” isto não designa um caminho comum para o feminismo, “existem tantos feminismos como culturas”. Ela acredita que estamos no processo de “encontrar e formular um ideal de coexistência e equilíbrio, entre as minorias estigmatizadas pelo sexismo, que não significa apagar o outro ou favorecer um dos dois pólos” mas sim de andarem de mãos dadas, respeitando suas urgências.

    O antropocentrismo anda de mãos dadas com o androcentrismo. Há agora uma revolução epistemológica em relação aos movimentos indígenas e se começa a reconhecer outros sujeitos que também tem direitos. Os animais, os vegetais, a pachamama, são reconhecidos como sujeitos de direito, este é o começo para superar o antropocentrismo definitivamente.

    Em relação aos governos que chegaram ao poder na América Latina, com discurso progressista, Rivera Cusicanqui falou de discursos que não tem correlação com a prática. Então passa a ser um discurso que tem a função de esconder o que se faz na prática.

    “Nunca antes se violou tanto a natureza na Bolívia como a partir deste governo”, afirma em relação ao governo de Evo Morales. Estes discursos indigenistas que tapam as verdadeiras intenções, significam a “deterioração da palavra pública”, algo abominável para muitas etnias indígenas.

    A saída

    Silvia Rivera Cusicanqui não vê opções de saída a nível macro, tampouco uma saída imediata. “O imediatismo é um típico gesto da classe média, a impaciência”. “Em contrapartida, a resiliência, a resistência e a paciência características de populações menores, mais combativas e muito mais sábias, podem nos mostrar outro caminho”.

    A socióloga esclarece que não faz sentido pensar que as ações de indivíduos vão significar grandes mudanças. Temos que exercer micropolítica, “criar pequenas comunidades de afinidade com pertencimentos de ordem emocional e racional” e partir delas tecer redes.

    “Comunidades e redes vão nos ajudar”, são os elementos chaves para sobreviver a esta conjuntura. De igual forma, tudo está dado por ciclos, atualmente estamos em um “mal ciclo”, mas “não é o fim do mundo”. Afirma que “temos que manter a brasa viva para que possamos outra vez acendermo-nos como fogo”.

    A entrevista completa de Silvia Rivera Cusicanqui ao programa Sob o Mesmo Sol, está disponível para áudio online

    Tradução do artigo publicado no periódico La Tinta

  • Comunicado

    Comunicado

    A Distro Dysca, coletividade responsável pela organização da Mostra Internacional de Filmes Anarquistas, vem a público repudiar toda ação proibitiva, punitiva e estigmatizadora de fazeres políticos e artísticos questionadores da atual ordem social desigual e hierárquica.

    Devido a ampla expressão conservadora nas ruas e nas redes sociais, torna-se importante ressaltar que não compactuamos e, sobre hipótese nenhuma, seremos passivas com a presença de grupos de inspiração fascista nacionalista e de pessoas/coletivos denunciadxs por agressões e violências machistas. Diante da possibilidade de ações de cunho racistas, sexistas, elitistas, homofóbicas, transfóbicas, misóginas e especistas durante a realização do evento, informamos que a mostra contará com uma comissão de segurança treinada e apta a fazer uma resistência enfática contra qualquer investida autoritária e truculenta por parte do Estado, pessoas ou grupos organizados.

    Em tempos que o Governo do Estado de Pernambuco e a Prefeitura do Recife desenvolvem ações antipopulares, higienistas e de proibição da atividade artística, cultural e política, é importante frisar que a mostra acontece em caráter de ocupação pública. Durante todo o inicio do ano a organização tentou articular a realização do evento com os gestores do Cinema São Luiz, CineTeatro Apolo e Teatro Hermilo, não obtendo êxito tanto pela falta de interesse em ceder bons espaços para um evento autônomo, sem ligações com editais e financiamento estatal, quanto pela imposição de valores exorbitantes (R$300) para realização de algo que pretende ser gratuito, plural, amplamente democrático e não mercadológico. O Estado através de seus colaboradores dificultou e burocratizou ao máximo a realização do evento nos espaços públicos da cidade, evidenciando a completa inacessibilidade que a população tem a eles e demonstrando na prática, gestões mais empenhadas em enaltecer um mercado cultural elitista do que agregar fazeres políticos críticos que vem de setores organizados da sociedade.

    Ao prestigiar nosso evento, você estará ocupando a cidade, resistindo aos desmandos de uma classe a serviço das corporações e lutando para garantir novas e livres auroras que desde Chiapas até Kobani, mostra-nos que sempre vale a pena resistir.

    Até os dias 12, 13 e 14 na Rua da Aurora.
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